Como designer de interiores, minha abordagem aos projetos vai além da estética; ela se aprofunda na conexão humana e na experiência sensorial. Não vejo um ambiente apenas como uma combinação de paredes, móveis e objetos, mas como um espaço-refúgio para a vida — um reflexo da personalidade e das aspirações de quem o habita.

 

Ver e Sentir: A Base de Tudo

Ao iniciar um projeto, minha primeira etapa é sempre a observação e a escuta. Ver o espaço em seu estado atual e sentir as possibilidades que ele oferece é crucial. Mas, mais importante ainda, é ver e sentir o cliente. Compreender suas histórias, rotinas, paixões e até mesmo seus desconfortos me permite decifrar o que realmente o fará se sentir em casa.

Acredito que um bom design de interiores deve propor espaços que acalmam, inspiram, energizam ou acolhem, dependendo da função e da necessidade. Isso se traduz na escolha de texturas que convidam ao toque, paletas de cores que influenciam o humor e layouts que facilitam o fluxo e a interação. É um trabalho que exige empatia, intuição e uma boa dose de sensibilidade.

 

O Meu Trabalho: Criando Ambientes com Propósito

Em meu trabalho, cada projeto é uma narrativa única. Minha proposta é criar ambientes que sejam, acima de tudo, funcionais e belos, mas que também ressoem com a alma de seus ocupantes. Isso significa que, além da estética, considero a ergonomia, a acústica, a iluminação natural e artificial, a sustentabilidade e, acima de tudo, o gosto do cliente.

Busco integrar soluções inovadoras que otimizem o espaço, utilizando mobiliário e elementos que contenham uma história — sejam peças de design autoral, itens restaurados com valor sentimental ou objetos que celebrem a arte local. A personalização é a chave. Não se trata de impor um estilo, mas de cocriar um ambiente que seja uma extensão do cliente, onde ele se sinta verdadeiramente representado e confortável.

A pandemia da COVID-19 trouxe um período de incertezas e desafios sem precedentes. Em meio ao turbilhão de notícias e à necessidade de isolamento social, muitos se viram buscando formas de lidar com a nova realidade. Para mim, em vez de me deixar consumir pela ansiedade, decidi aproveitar esse tempo para um mergulho profundo no autodesenvolvimento e no autoconhecimento.

Longe da rotina agitada do dia a dia, encontrei a oportunidade perfeita para ocupar a mente de forma produtiva. Foi um período de intensa especialização e estudo, onde cada hora dedicada ao aprendizado se traduziu em um novo horizonte. Esse foco não só me ajudou a manter a sanidade e o equilíbrio emocional, mas também me permitiu crescer como ser humano e profissional.

Revisitar conceitos, aprofundar conhecimentos em novas áreas e adquirir habilidades que antes pareciam distantes se tornaram prioridades. A pandemia, paradoxalmente, ofereceu um cenário único para essa jornada de aprimoramento. Olhando para trás, percebo que esse tempo, embora marcado por adversidades globais, foi também um período de oportunidade e resiliência pessoal, moldando um futuro mais promissor e bem preparado.

Em um período de caos mundial sem precedentes, onde a incerteza parecia ditar o ritmo, encontrei um refúgio e uma bússola interna no reequilíbrio mental e no foco nos estudos. Longe da agitação, decidi buscar paz e conhecimento.

Foi em uma eco-hospedagem, imersa na natureza exuberante, enquanto me aprofundava no curso de Reiki Nível 1, que uma nova porta se abriu de forma inesperada. No meu celular, surgiu a proposta de um curso de Design Biofílico. A curiosidade me impulsionou a me inscrever, e logo fui arrebatada por uma paixão genuína pelo tema.

Quase que simultaneamente, outra oportunidade surgiu e decidi abraçá-la: a matrícula em uma especialização em Neuroarquitetura. Um campo completamente novo para mim, que prometia desvendar a conexão profunda entre o ambiente construído e o bem-estar humano.

Percebi, então, que a saudabilidade e a sustentabilidade nos projetos não eram apenas tendências, mas sim pilares que estavam tomando conta da minha forma de pensar e agir. Essa jornada de aprendizado, iniciada em um momento de crise global, me permitiu não só expandir meus horizontes profissionais, mas também reafirmar meus valores e propósitos em busca de um futuro mais consciente e integrado com a natureza.

A Neuroarquitetura, para mim, não é mais apenas uma teoria fascinante; ela transformou completamente a minha forma de projetar ambientes de interiores. Antes, eu me concentrava primordialmente na estética, na funcionalidade e, claro, no gosto do cliente. Agora percebo que um ambiente vai muito além do que é visível, e a Neuroarquitetura me deu as ferramentas para projetar espaços que realmente impactam o bem-estar e o comportamento humano em um nível profundo.

 

O Despertar para a Ciência do Espaço

A mudança começou quando entendi que nossos cérebros reagem instintivamente a elementos como iluminação, cores, texturas, formas e até mesmo a organização espacial. Não se trata de uma preferência subjetiva, mas de respostas neurológicas que influenciam nosso humor, nossa capacidade de concentração, nosso nível de estresse e até mesmo nossas interações sociais.

Esse conhecimento me abriu os olhos para uma camada de responsabilidade que eu não havia explorado plenamente. Antigamente, eu poderia simplesmente escolher uma cor de parede que combinasse com o mobiliário. Hoje penso: qual o propósito deste ambiente? É para relaxar, para trabalhar, para socializar? Se for para relaxar, quais tons de azul ou verde seriam mais calmantes? Como a luz natural pode ser maximizada para reduzir a fadiga visual? E a acústica — como ela impacta a sensação de tranquilidade?

Cada decisão de design agora é embasada em princípios científicos, buscando criar espaços que não apenas pareçam bons, mas que façam as pessoas se sentirem bem e performarem melhor em suas atividades.

 

A Importância dos Detalhes Sensoriais

Essa abordagem me fez valorizar detalhes que antes poderiam ser considerados secundários: a temperatura da cor da iluminação, a escolha de materiais que trazem sensações táteis agradáveis, a presença de elementos naturais (biofilia), a otimização de fluxos e a criação de diferentes zonas com propósitos claros — tudo isso se tornou parte integrante do meu processo.

Entendi que um ambiente bem projetado é aquele que estimula os sentidos de forma positiva, promovendo saúde e felicidade.

Em resumo, a Neuroarquitetura não é apenas uma tendência para mim; é um novo paradigma no design de interiores. Ela me permitiu ir além do superficial, mergulhando na complexidade da mente humana para criar espaços que nutrem, inspiram e capacitam. Meu olhar sobre projetar um ambiente se tornou mais empático, mais científico e, sem dúvida, muito mais gratificante.

É uma jornada contínua de aprendizado e aplicação — e mal posso esperar para ver como esses princípios continuarão a moldar o futuro do design.

 

Design Biofílico: A Natureza Dentro de Casa

Um módulo importante da Neuroarquitetura é o Design Biofílico. Minha jornada profissional e pessoal tem sido profundamente moldada por uma paixão pelo design biofílico. Para mim, não se trata apenas de uma tendência, mas de uma filosofia que ressoa com a minha crença fundamental: a de que a conexão com a natureza é vital para o nosso bem-estar, mesmo dentro das quatro paredes de um lar.

Neste mundo cada vez mais urbanizado, passamos a maior parte do tempo em ambientes construídos, muitas vezes desconectados da natureza. No entanto, o design biofílico surge como uma ponte essencial, integrando elementos naturais aos espaços interiores e revelando-se um pilar fundamental para a saúde física e mental dos usuários.

Não se trata apenas de adicionar plantas; é uma filosofia que busca replicar a complexidade e os padrões da natureza, reconhecendo nossa inata necessidade de nos conectar com o mundo natural.

Em cada projeto que assino — mesmo quando o cliente inicialmente torce o nariz para a ideia de ter plantas vivas em casa — encontro uma maneira de tecer a biofilia na alma do espaço.

A beleza do design biofílico reside na sua versatilidade. Não se resume a vasos e folhagens; sua essência pode ser capturada e replicada de inúmeras formas sutis, mas poderosas. Por isso, me aprofundo na escolha de materiais que remetem à natureza: madeiras com texturas ricas, pedras naturais que trazem a solidez da terra, fibras orgânicas que convidam ao toque.

As cores desempenham um papel crucial. Inspiro-me nas paletas que a própria natureza nos oferece: tons terrosos do solo, verdes variados das florestas, azuis serenos do céu e da água. Essas cores não apenas acalmam e inspiram, mas também criam uma atmosfera de tranquilidade e equilíbrio.

As texturas são a alma sensorial da biofilia — a rugosidade da madeira bruta, a maciez do linho, o toque frio da pedra polida. Elas convidam à interação e proporcionam uma experiência tátil que nos reconecta com o mundo natural, mesmo que de forma abstrata.

Em cada detalhe — um padrão que imita a nervura de uma folha, uma luminária que simula a luz solar indireta — busco infundir a essência da natureza. Meu objetivo é criar ambientes que, independentemente da presença de plantas vivas, evoquem a mesma sensação de calma, vitalidade e bem-estar que sentimos ao ar livre.

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